quinta-feira, 27 de março de 2008

Submundo (oitava parte: Os 3 Mundos - parte II)

Pablo sentiu um frio na espinha e um enjôo de repente, mas era tão forte que tomava conta de todos os milímetros de seu corpo e sua alma. Num ato instintivo, fechou os olhos e só os abriu quando aquele mal estar, que durou aproximadamente cinco minutos, passou... Quando pode abrir seus olhos viu um mundo como sempre imaginou. Estava encantado com toda aquela beleza, com toda aquela paz que existia no ar e em todas as coisas daquele lugar surreal. Correu por aquele campo imenso sem se cansar, sem ficar sem ar ou querer parar para beber água ou somente sentar. Estava deslumbrado com tudo que podia ver, ouvir, sentir, tocar e presentir naqueles campos verdes que pareciam um mar de folhas, flores e tudo o que era lindo... Sentia-se bem demais para ser verdade, pensava que nada poderia melhorar aquele momento único quando ouviu uma voz conhecida vindo de longe... "Pablo, meu querido.. Você por aqui? O que tu estas fazendo desse lado?" Quando virou, deparou-se com Dona Adelaide, sua querida e amada vizinha-mãe que o acolheu de braços abertos num forte, longo e caloroso abraço. "A senhora não mudou nada, esta mais linda do que nunca, sabia? Tu não sabes a saudade que senti dos teus cafés-da-manhã mimados, dos teus conselhos, carinhos, abraços.. Das tuas broncas, de tudo mesmo! Achei que fosse morrer sem a senhora do meu lado..." Pablo não acreditava que estava vendo Dona Adelaide novamente, tão de perto, como se ela nunca tivesse partido antes.. Quebrando aquele momento quase mágico Renan chamou Pablo, disse que precisavam ir senão não daria mais tempo... Pablo despediu-se de Dona Adelaide prometendo voltar mais vezes para visitá-la e encerrou aquela cena com um forte abraço e um beijo nas mãos de Dona Adelaide, pedindo benção a senhora mãe dele... Seguiu Renan olhando fixamente para Dona Adelaide, sentindo um enorme aperto em seu coração por deixa-la para tras, mas com um alivio por saber que estava bem... Quando olhou para frente estava entrando no meio de uma luz branca muito forte, fechou os olhos novamente para proteger-se daquela claridade imensa. Quando conseguiu se recompor daquela luz se deparou com um exército de anjos, todos em fila, com suas espadas na cintura, suas roupas de guerra e suas faces cerradas e sem nenhuma expressão, a não ser fúria e desejo de vitória sobre as forças do mal. "Nunca pensei que anjos pudessem sentir raiva, ódio, fúria.. Sentir o desejo de vingança correr por suas veias e querer acabar com aquilo que os causa mal. Os seres humanos tem uma visão completamente errada dos outros mundos... Os bons não são tão bons como pensam, e os maus são piores ainda... Espero que esse desejo que corre em minhas veias corra tambem nas dos demais aqui presentes..." Renan se apresentou para Thal, o 'senhor das guerras celestiais' e o informou que Pablo estava presente, que ele tinha achado o último anjo que faltava para os exércitos se completarem e o ciclo se cumprir... "Venho aqui apresentar-lhes o nosso anjo de luz que faltava. Nosso Alkeos perdido no tempo e espaço. Nosso ser de luz supremo. Nossa salvação!" Todos se curvaram para Pablo, o reverenciando e o aplaudindo por coisas que nem ele mesmo sabia o que eram.. Depois da cerimonia de batizado celestial Pablo não o reconhecia mais como Pablo. Havia lembrado de toda sua vida de luz e de suas conquistas. Era Alkeos, um dos 3 anjos mais poderosos do reino dos céus e o que tinha a maior responsabilidade naquela Guerra. Lembrou tambem que Ténèbres tambem era um dos 3 anjos, mas foi expulso do reino por desobediencia e traição ao Pai Supremo e a Thal, senhor dos céus. Lembrou-se tambem que foi condenado por Ténèbres a passar alguns anos na Terra, sem lembrar-se de nada, até que algum anjo o encontra-se e o levasse de volta ao reino dos céus. Pablo, agora Alkeos, comandava o exército de fogo, o maior dos exércitos celestiais existentes em toda a face de vida. Era um comandante firme, com uma voz que ecoava em todo o céu e na terra virava trovões que estremeciam as cidades mais povoadas do mundo... Parecia outra pessoa.. Aquele Pablo medroso e confuso não existia mais, agora Alkeos havia dominado todo corpo e toda a mente.. Mas ainda restava a sua loucura e seu mundo, isso nunca mudaria... Amava aquilo com todas as forças, mataria quem ousasse falar ou criticar alguma coisa do que pensava da sua loucura e de seu mundo... Tinha ódio no olhar que era repelto de chamas... Alkeos era o Deus do Fogo, o mais poderoso deus que ja existiu... Era, comparado a Thal, um aprendiz... Mas comparado ao resto dos seres de luz era um mestre... Não via a hora daquela guerra maldita começar. Queria destruir tudo o que Ténèbres havia conquistado. Queria destruir aquele que o destruiu... "Agora que eu descobri o meu verdadeiro eu desejo a vingança... A mais cruel e macabra vingança dos mundos. Quero a morte àquele que me matou. Quero a destruição à tudo aquilo que aquele ser pútrido, nojento. A Guerra eu irei, e não para ser derrotado. Quero e vou conseguir a minha vitória, minha plena e santa vitória em cima daqueles que quiseram me ver destruído e jogado as traças... Daqui a duas noites a Guerra começará, não restará nenhum ser das trevas para contar história. Meu fogo consumirá todos aqueles que cruzarem meu caminho. À luta e à vitória! Essa Guerra é a comemoração da minha volta. Somente eu, Alkeos, Deus do Fogo, posso ter o prazer de festejar..." Lumiére o reverenciou e falou que precisava conversar com o seu mestre. Alkeos o abraçou bem forte e disse "Eu sou eternamente agradecido à você, meu querido e eterno amigo!", sairam do meio dos exércitos e sumiram em meio a luz, sem previsão de volta...

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