terça-feira, 1 de abril de 2008
Submundo (nona parte: Os 3 Mundos - parte III)
"Escuridão, trevas, breu, noite, ausência de luz, fim do crepúsculo... Vocês podem descrever como quiserem, mas o caminho que percorri durante essas horas era mais do que somente trevas. Não podia ver nada além de chamas flutuantes e demônios que vinham ao meu encontro, mas eram interrompidos por minha luz.. Suas silhuetas desenhadas por fogo me davam náuseas, aquele fedor... horrível. Enxofre comparado àquilo era um mar de rosas vermelhas na primavera. Aquele caminho era insuportavelmente quente e imundo. Me sentia tão sujo ao passar por ali, sentia que a cada passo que dava aquela escuridão ia sugando minha luz e minhas forças como um lobo faminto numa noite fria, que não vê a hora de encontrar alguma presa distraída... Íamos ao encontro de um ser completamente desprezível. Um ser que eu, Alkeos, não gostaria de encontrar nunca mais em minha vida, ou morte. Seu nome, Teufel. Considerado o Rei do mundo das Trevas, era completamente sem coração. Não gostava nem desgostava de ninguém, nem de nada, muito menos de mim.
Tinha um ódio especial a mim, e esse mesmo é recíproco. Mas era preciso encontrá-lo. Tínhamos o dever de avisá-lo que a Guerra começará amanhã a noite e que não aceitaríamos trapaças, brincadeiras ou qualquer tipo de manifestação indesejada da nossa parte. Tínhamos o dever de avisá-lo, também, que ele deveria seguir meticulosamente as regras, senão a Guerra estaria finita e nós venceríamos.
Quando chegamos a 'Sala Principal' daquele lugar grotesco, demos de cara com Teufel e seus abutres, um deles era nosso querido Ténèbres, demônio nojento e braço direito de Teufel naquele mundo escroto. Estavam todos rindo, não sei se era da nossa cara ou de alguma idiotice que fizeram. Mas isso pouco me importava, pois queria acabar logo com aquela sensação horrível que me consumia naquele lugar.
'Ora, ora, ora meus queridos abutres.. Será que eu estou vendo direito ou os meus amados olhos estão me pregando uma peça?' disse ele olhando no fundo dos meus olhos com aquelas chamas que o consumiam dentro e fora daquele corpo pútrido. Não falei nada, somente sentei em uma poltrona que estava bem na frente daquele ser e esperei aquele bando de urubus irem embora para começar a falar. Os queridos abutres e fiéis servos daquele ser imundo sumiram em meio as trevas, uivando e rindo.
'Sei que não sou bem vindo nesse mundo tenebroso e insípido que habitas, mas tenho o dever de informar-lhe que a Guerra começará amanhã, exatamente ao fim do crepúsculo, entre os dois mundos. Não haverá trapaças e tu terás que obedecer as regras. Ao contrário, nós venceremos e os teus queridos e amados servos serão extintos para sempre dos mundos!'.
Aquele ser me olhava no fundo dos olhos e da alma, podendo até tocar o intocável que existia dentro do meu humilde corpo de luz. Aquilo me dava um medo e uma angustia que não cabia mais dentro de um só corpo. Lumiére estava do meu lado o tempo todo, mas mesmo assim me sentia completamente vulnerável àquele tosco com chifres e dentes que não conseguiam ficar dentro da boca. Este ser que vi estava totalmente diferente desde o último encontro entre os mundos. Não sei distinguir o que ele realmente é, só sei que é uma mistura de coisas mal feitas e mal acabadas... Meio vampiro, meio demônio, meio lobo, meio porco, meio homem. Uma mistura grotesca que me causava um mal estar terrível, náuseas, enjoos, tonturas...
Mas pior ainda era quando aquilo abria aquela boca cheia de dentes afiados para responder aquilo que falava... Era um cheiro horrível, diferente de tudo o que senti e o que sentirei na 'vida'... Não aguentava chegar mais perto do que estava daquele demônio. Queria sumir dali naquele instante, mas não podia...
'Ora meu caro, estas completamente enganado sobre a minha pessoa e meus fiéis servos. Tu és totalmente bem vindo ao meu mundo das maravilhas! Percebes que sempre te recebo de braços abertos, esperando o dia que tu desças para ficar comigo eternamente... Sinto saudades tuas, sabia? Mas deixemos de lado os sentimentos e vamos direto ao ponto. Como sabes adoro trapaças, brincadeiras de mal gosto, sarcasmo e ironias... Mas não sou tudo isso que pensas. Pelo contrário, sou muito bonzinho relevando os meus defeitos e minha má aparência.. De resto, meu amado irmão, sou como você. Um ser que luta por aquilo que acredita, que defende os ideias e que é capaz de morrer por alguma coisa.. Porém, eu sou mais ambicioso, isso me torna perverso e sendo assim acaba me tornando um ser desprezível. Contos, mentiras, calúnias! Não sou tão mau assim, querido. Sou como todos os podres mortais e imortais. Apenas mais um nesses mundos loucos que alguém nos proporcionou... Pode ficar calmo e descansar em paz que irei seguir as regras. Ah! uma última coisa, mande um enorme e caloroso abraço ao nosso querido Pai, estou com saudades daquele velho brincalhão!'. Sim meus amigos, ironia até a última palavra... Sinto ódio de todas as palavras que aquele cretino vomita aos sete ventos.
Ele tem coragem suficiente para falar deste jeito na minha cara e ainda sumir naquelas trevas rindo e gozando da minha cara...
Fiquei aliviado, mas me subiu uma coisa tão ruim quando aquele cretino sumiu. Porém pude ir embora daquele lugar podre, espero nunca mais voltar lá!
Agora, com mais esse desejo de vingança que tenho daquele ser que era meu irmão, vou poder aniquilar todos os abutres e conseguir a extinção dessa raça nojenta dos mundos. Esta Guerra será uma das mais violentas e fortes que já existiu. Podemos destruir um dos mundos se for preciso... Só tenho dó dos inocentes, mas morrerão por uma boa, aliás, ótima causa: A Extinção da Raça Pútrida. Digo e repito, não haverá nenhum sobrevivente dessa raça de imundos e garanto que nós, os seres da luz e da união celestial, venceremos mais essa batalha pela paz e harmonia mundial.
Os mundos estão em perigo constante... Só temo por uma coisa.
Espero que ela não saiba dessa Guerra, senão todos nós, seres de luz, de trevas e os inocentes, estaremos em perigo. Espero que, se ela ficar sabendo ou sentir que haverá uma Guerra entre os Mundos, não nos destrua, ou pior, nos castigue. Um ser tão incomum e tão imprevisível... Só temo por isso. Temo por todos. Temo pelo meu mundo..."
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