quinta-feira, 20 de março de 2008

Submundo (sétima parte: Os 3 mundos - parte I).

Pablo havia perdido completamente suas forças naquele lugar infernal onde esteve na noite seguinte. Não entendia como aquele ser escroto conseguia, com um olhar, sugar toda sua luz daquele jeito. Sentia-se como um nada perto dele, como se ele não existisse, como se sua presença ali não fizesse diferença, como se não tivesse a mínima importância. Sentiu medo, medo de morrer, medo de ser morto por aquele ser cruel e sem coração. Medo por Renan, medo por seu mundo e sua loucura. Dormiu duas noites seguidas, sem se quer abrir os olhos para ver o sol nascer naquele campo enorme, a luz refletir naquele riacho. Renan preocupou-se um pouco, mas sabia que Pablo precisava recuperar toda a sua energia e sua luz para poder lutar, dar tudo de si naquela maldita Guerra entre os mundos. Quando acordou, numa noite fria e chuvosa onde as nuvens negras engoliam o céu e mostravam que as trevas estavam cada dia mais próximas dali, deu de cara com um ser estranho. Só conseguia ver duas enormes asas negras paradas em sua frente, esperando ansiosamente seu despertar daquele sono profundo. Seu nome era Armand, um ser dividido entre a luz e as trevas, condenado por Ténèbres e salvo por Renan. Armand servia somente a ele mesmo e tinha o poder de mudar a cabeça das pessoas com um estalar de dedos. Pablo se levantou correndo, enrolado em seu lençol branco, tremendo de frio. Armand aproximou-se "Tu não precisas temer, não lhe farei mal algum. Estou aqui a pedido de Lumière para cuidar de seu mais novo protegido. Meu nome é Armand e o prazer é todo meu, Pablo". Estava confuso, não sabia quem era esse tal de Lumière muito menos o que ele queria. Não era protegido de ninguém e não gostou nada do ar sínico de Armand. "Um minuto, quem é esse tal de Lumière? E o que esta fazendo aqui? Não preciso de proteção, muito menos a de um anjo negro." e saiu do quarto a procura de Renan. Armand já estava parado em frente a poltrona da sala de estar quando Pablo terminou de descer as escadas. "Meu Deus, como isso é possível? Tu não estavas la em cima?"... "Meu caro e idolatrado Alkeos, não vês que não sou humano? Não tenho nenhuma parte humana neste corpo frio e branco. E as tuas perguntas, posso responder em um piscar de olhos, se quiseres." Pablo sentou, sem entender nada, e começou a ouvir Armand... "Sabe, querido Alkeos, tu eras esperado durante mais de 300 anos, tens que aprende a ser o que és o mais rápido que puderes. Não há tempo para questionamentos, muito menos para perguntas sem sentido. O que deves saber Lumière lhe contará. Só estou aqui a favor e a minha hora acabou. Lumière esta chegando, tu ficarás bem. Adeus, até a Guerra." Logo após Armand sumir na escuridão do canto da sala Renan entrou pela porta principal e despertou Pablo daquele transe quase hipnótico. "Vamos Pablo, temos muito o que fazer e o que conversar. Soube que já conheceste Armand, meu misterioso amigo. Pedi a ele que tomasse conta de ti enquanto dormias. Percebi que não foste muito com a cara dele, não é? Mas tu tens que se acostumar. Irás vê-lo muito a partir de agora." Palo começou a entender quem era Lumière e o que estava acontecendo ali. "Armand te chamou de Lumière, por que? É teu nome no outro mundo?". Renan não gostava muito de perguntas desse tipo, mas sabia que Pablo estava confuso e precisava de respostas urgente, senão iria enlouquecer ainda mais. E essa hora não era a mais apropriada para este fato. "Sim, é meu nome quando fui batizado como anjo da luz. O teu é Alkeos, mas tu não sabes pois ainda não fostes ao outro mundo." Pablo estava cada dia mais confuso e mais ciente de que era realmente um ser da luz, que pertencia a outro mundo. Pertencia aquele mundo que criou em sua mente. Agora tinha certeza de que aquele tão esperado mundo existia e estava louco para ver, sentir e tocar tudo o que havia lá.. "Mal posso esperar para ir ao outro mundo. Agora tenho certeza que o meu mundo existe, que não é somente fruto da minha imaginação. Posso ser quem eu sou sem medo de parecer outra coisa. Posso mostrar a todos a beleza da minha loucura, como ela é auto-suficiente o bastante para criar um mundo que existe e que eu pertenço. Poucos pertencem e eu sou um dos escolhidos. Agora eu posso me apresentar corretamente e mostrar quem eu sou. Posso descrever claramente tudo que vejo, tudo o que tinha medo de ver por simples egoismo da minha parte. Não queria saber como as pessoas eram por medo de odia-las ou ama-las. Posso voltar a ver minha querida Dona Adelaide. Ah, que saudade dela... Posso ver as pessoas que morreram aquele dia e sentir o bem que aquilo fez a elas. Somos egoistas demais para ver o lado bom das coisas. Só quando nos entregamos a nossa própria loucura é que ficamos sãos e salvos de todo mal que nos rodeia. Não podemos entregar nossa queria loucura de graça, temos que lutar por ela e criar na nossa inocente mente o mundo perfeito que nos encaixamos corretamente. O nosso mundo, só nosso, e temos que acreditar naquilo que pensamos. Porque a nossa mente é o que somos, na íntegra. Temos que deixar nossos pensamentos falarem por nós mesmos, sem medo de ferir ou magoar as pessoas, pois se elas gostarem mesmo, tiverem um carinho especial, irão entender e concordar com aquilo que falamos. Seja livre e conheça o mundo real, o que a nossa imaginação cria. Deixe a loucura fluir em suas veias, revele para o mundo sua loucura. Assim serás livre para ver o que eu vejo, aquilo que realmente importa nas pessoas. Seja o bem ou mal"... Pablo foi despertado por Renan, deveriam ir ao encontro de Armand. A Guerra começará em poucos dias, precisamos nos encontrar e planejar tudo o que faremos. "Vamos Alkeos, nosso mundo nos espera"...

Nenhum comentário: