segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Rabiscos de uma mente sonhadora.

Sentada no topo de uma montanha, olhando tudo passar ao redor, contemplando o céu mais lindo que alguém poderia imaginar, ouvindo somente o som do vento soprando as folhas das árvores como uma doce e melancolica sinfonia orquestrada diretamente pela sua mente enquanto o som das águas indo e vindo lembravam a inquietação e o entusiasmo de quem só ouve, magnificado com a mais bela música que existe no mundo, ela pensava. Não só pensava como imaginava um bilhão de coisas ao mesmo tempo, tentando entender alguns porquês que a vida coloca no meio do caminho, como se fossem pedras no seu sapato ou farpas no seu dedo, as vezes machucando mas servindo de algo. No que estava pensando não era propriamente o que interessava, não era muito diferente do que a maioria das pessoas pensam quando se pegam em momentos assim, quietos e calmos.. Esses momentos nos fazem pensar, quase nos obrigam a pensar em várias coisas e querer, por mais difícil que for, entende-las e conseguir ao menos saber como ir além disso ou simplesmente como deixar tudo para trás, tudo aquilo que faz as farpas e as pedras nos machucarem. Mas, o que realmente importava era o que ela imaginava, como ela imaginava e o quanto essa imaginação se tornaria real a partir daquele único momento. Ela estava sozinha naquele lugar, não completamente, estava com a natureza em sua mais bela e pura forma, mas sozinha em relação aos humanos. Era como ela sempre quis, um momento sem ninguém para interromper a linha de pensamentos mesclada com a imaginação, era o que ela desejou uns dias antes e não conseguiu obter por conta de uma das farpas que ainda conseguia machucar. Foi então que ela percebeu que aquele momento único não deveria passar sozinho, ela deveria ter alguém ali com ela, alguém que não seria uma farpa ou uma pedra, alguém que ela sabia que não iria interromper a sua imaginação, mas que faz parte dela, como um sonho se tornando realidade, sendo projetado da sua mente ao mais puro ar das montanhas... Ali, bem na sua frente, bem naquele momento com o cenário mais perfeito que possa existir. A partir dai ela não quis mais estar sozinha, ela não quis mais imaginar aquilo tudo sem ter a peça chave da sua imaginação com ela, mas ela simplesmente não queria parar de imaginar, nem por um segundo queria deixar de pensar no que e como seria se tudo aquilo pudesse se tornar real naquele instante... Ela quis deixar de ouvir somente o som do vento, queria ouvir uma voz, queria ouvir qualquer coisa além dos próprios pensamentos submersos na sinfonia divina.. Ela queria olhar mais além do que o céu, ou as águas, ou as árvores dançando e brincando com o vento. Ela queria olhar nos olhos de alguém. Não queria falar, não precisaria falar. Queria tocar, ser tocada, ouvir uma respiração, sentir o coração de alguém batendo junto com o seu... Isso era o que faltava na sinfonia, isso a tornaria exclusivamente perfeita. Foi então que ela fechou os olhos e por um momento, um curto espaço de tempo entre o real e o imaginário, ela conseguiu ouvir sua sinfonia se tornar perfeita, com tudo o que tinha direito. Ousou até sentir o toque, a respiração.. Queria ter ousado mais, queria ir além daquilo tudo... Mas, mais do que isso, ela queria que não tivesse fim. Poderia ouvir essa sinfonia a vida toda que nunca enjoaria, nunca nem se quer pediria um momento de silêncio, pois ela não precisava.. Dizem que o silêncio tras paz, ela discorda. A sua paz estava ali, bem descrita e desenhada em forma de nuvens e fumaças da imaginação, reflexos da sua mente, todos se refletindo na água que continuava ir e vir, no vento que continuava a tocar sua música, nas árvores que continuavam a brincar e dançar, no céu com suas nuvens em formas contínuas ou abstratas, algumas lembrando animais, outras exatamente desenhadas para a sua imaginação. Conforme o tempo foi passando ela permanecia com os olhos fechados praticamente o tempo todo, abrindo de vez em quando só para não se perder da total beleza do seu cenário especialmente desenhado.. Foi em uma dessas contemplações de beleza que ela pôde perceber que ja havia escurecido e que a sinfonia estava mais grave, mais alta e mais bela. O vento uivava entre as árvores e as águas se debatiam nas pedras suplicando atenção maior do que a do vento. Era de fato a parte final daquela bela música, o clímax, onde tudo que acontece deve ser resolvido e logo depois se coloca o ponto final. Era lindo, tão lindo.. mas, era triste. Ela ainda não queria que terminasse, queria ficar submersa nos seus sonhos lúcidos por toda a vida, queria viver ali, naquele lugar, com os seus pensamentos imaginatórios e o que a inspirava a tê-los. Então, abriu os olhos de uma só vez, mesmo contra a vontade. Foi presenteada com a mais bela lua que possa existir. Um céu coberto por um véu negro onde estrelas cintilavam, sempre brincando, sempre alegres.. e no meio, bem no meio daquele véu estava ela, majestosamente linda e brilhante como nunca tinha visto. A lua.. como ter palavras para descrever a beleza única? Não tem, ela não tinha como transformar em palavras o que estava vendo e sentindo naquele momento... Ela encarava a lua e a lua a encarava com o olhar mais doce e sutil. Era como se a observasse o tempo todo e soubesse exatamente o que ela estava pensando momentos antes de acordar dos seus sonhos. Ousou até em ver um sorriso naquela forma brilhante e estupenda no céu, como se tudo o que ela tivesse imaginado fosse realmente o que era pra ser, como se um toque de destino não fizesse mal a ninguem e que realmente a vida poderia ser boa ao menos uma vez. Não importava a sensatez nem a razão naquele momento, ela se entregou completamente aos sentimentos e a forma de ver o mundo com outros olhos, como uma legitima sonhadora e romancista, coisa que ela tinha esquecido como era boa... Mas, como tudo na nossa existencia um dia se vai, ela teve que deixar ir também, somente por uma razão... Não gosta de prender nada que é belo, pois a liberdade é uma das coisas mais lindas que existe nesse mundo. Deixou todos aqueles sonhos naquela montanha, na pedra em que sentava todos os dias e ficava ouvindo aquelas sinfonias perfeitas, nenhuma igual a anterior, mas todas perfeitamente feitas para ela. Foi então que antes dela ir embora ela pensou em mais uma coisa... Ela deixou tudo ir.. Mas, um dia ela leu uma frase em que fazia sentido naquele momento... Ficou olhando aquela paisagem, aquela pintura real que estava diante dos olhos do mundo com aquela frase em mente. Não queria deixar aquilo la, então disse para si mesmo, bem baixinho: "Amo a liberdade, por isso deixo livre tudo que tenho… Se voltar é porque conquistei, se não é porque nunca as possuí." e foi embora.. O que seria um momento de tristeza para certas pessoas, para ela era somente o começo da verdadeira felicidade. Ela ainda não tirou nada do que pensou da sua mente, mesmo sem a sua bela pintura... Todos os seus sonhos voltam todos os dias, todo o tempo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

De tão lindo, me dói.

Certas coisas não tem explicação, simplesmente nos encantam como se não houvesse meio de ficarem mais lindas ou menos interessantes.
Uma bela paisagem não precisa de palavras, ela é autoexplicativa, nos transmite tudo pelo simples olhar, tão insuficiente ao ser humano.
A maioria das pessoas procuram algo puramente romântico, alguma pintura ou algum poema ultra romancista, algo que toque não só a ela, mas a todos ao redor...
Eu já prefiro algo unicamente belo, algo que só eu consiga enxergar a verdadeira beleza e ficar admirada observando o quão tocante aquilo pode ser.
Não procuro algo romântico, nem bizarro, nem coisas engraçadas.. Não procuro, as coisas que me encantam me acham e me fazem perder a fala.
Poucas coisas me encantam realmente, acho que por não conseguir me adequar ao que a sociedade chama de “normal”, ou pelo simples fato de não achar que coisas “normais” tenham beleza suficiente para me encantarem.
Não vou dizer que tudo o que é estranho me encanta, mas tudo que foge do normal tem la a sua beleza mesclada com o mistério de não ser considerada normal e o fato de não serem normais já é um ótimo ganho a favor da real beleza, pois beleza não é normal.
Adoro as coisas simples. A real beleza não está em coisas extremamente chamativas ou cheias de fantasias e outros exageros, a beleza não é um carnaval ambulante.
Ninguém da importância às coisas simples. Um sorriso, um olhar, um toque.. Cores amenas, calmas.. Um riacho, uma árvore, a sombra que o sol faz contra essa árvore na beira de um riacho com o som das águas e o coaxar das árvores ao redor.. Uma brisa fresca no rosto fazendo com que o cabelo caia pelo olho, uma linha fina numa pele branca, um traço perfeito num sulfite... A tela em branco é a mais bela de todas as pinturas.
Ela pode ser qualquer coisa.
Certas pessoas são como telas em branco, nunca estão completamente terminadas e sempre e constantemente mudam a sua forma porque querem a perfeição. O único problema nisso é que elas serão sempre a tela em branco, porque perfeição é uma ilusão humana.
Have no fear of perfection, you'll never reach it.”
Mas por que seria um problema? Para mim, não existe problema em ser sempre uma tela em branco.. Não tem como cair na monotonia se você mudar constantemente.
Mas, nunca será completo.
Sempre terá aquele vazio, aquela parte que falta preencher e que não sabe com o que, porque não quer que seja qualquer coisa, quer a perfeição.
Então entra em um estado de solidão profunda em busca dessa maneira, de um jeito, qualquer que for, para encontrar o que tanto procuram e acabam sozinhos no meio de um mar de pensamentos obscuros e depressivos, pois sabem que o que procuram não pode ser alcançado.
E começam a se sentir só em qualquer lugar, fazendo qualquer coisa, não importa quantas pessoas estiverem ao redor, sempre se sentirá sozinho.
Mas, e se encontrar algo ou alguém que entenda como isso é?
Você se sentirá sozinho?
Ou você vai se fechar completamente porque não acredita que isso possa existir?
Seria isso a perfeição?
A parte que faltava para completar a tua tela em branco?
Nunca irá saber se não tentar...
Tente! Se deixe surpreender pelo simples fato de tentar.
Não é nada tão complicado e nem tão simples, é fantástico.
Uma das únicas maneiras de uma pessoa como essa se surpreender é ter algo além do esperado nas mãos, algo constante e inconstante ao mesmo tempo.
Depois que vê que há uma coisa assim em sua vida entra o momento mais complicado...
A dúvida.
Por que tantas dúvidas? Por que tantos atritos e tantas faltas?
Por que duvidas que algo possa ser melhor do que você realmente pensa?
As vezes uma coisa tão banal pode ser a melhor.
Uma vida sem limites, isso te assusta? Te excita? Te faz querer mais?
Sem limites para pensar, viver, agir, falar...
Simplesmente ser o que você é, sem máscaras, sem mentiras, sem medo.
Sendo assim, encantar alguém.. É algo que tu nunca tinha pensado?
As pessoas não são boas e nem más, são simplesmente encantadoras ou tediosas.
Ninguém é tão terrível ao ponto de afastar alguém...
Principalmente se esse alguém está completamente encantando por ti.
É como uma paisagem.. Não importa se chova, se faça sol, se está dia ou noite..
Ela continua a ser encantadora em todos os sentidos.
Eu prefiro chuva, raios, trovões.. Não gosto da calmaria de um dia ensolarado..
O som da chuva caindo no riacho contrastando com o clarão dos relâmpagos e os gritos desesperados dos trovões suplicando atenção em um céu cinza..
Acho uma das coisas mais lindas que possa existir.
A chuva é o choro do céu implorando que você o note, veja o quão lindo são os desenhos que os raios fazem no céu negro.. Aquela linha incrivelmente torta de propósito para formar uma beleza única.. Um corte naquilo que te encanta.
Faz você perceber que até nas coisas mais escuras há como ter um fio de luminosidade..
É só você parar para admirar como as coisas densas podem ser lindas.
Você já reparou na beleza das tempestades?
E como o céu fica limpo e muito mais bonito depois que ela termina?
É como se lavasse, tirasse todas as impurezas do céu e começasse de novo, como uma tela em branco pronta para receber os mais fortes golpes de tinta.
Nunca se esqueça de que cada atitude tua é um golpe de pincel na tela em branco de alguém que te encanta.
Tente, por mais difícil que for, não rasgar essa tela com golpes muito fortes e nem colocar muita tinta, não misture tudo de uma vez só...
Faça com que cada traço represente algo puramente belo como cada traçada de raios no céu negro.
Nada dura pra sempre.. Mas, pinturas duram, não?
Faça com que seus encantos se tornem pinturas, assim você será inesquecível na vida de alguém.. E esse alguém, com toda certeza, terá boas lembranças de tudo.
Até das mais cruéis tempestades.